terça-feira, 10 de novembro de 2015

Hotel Alto Minho no Peso (Melgaço) em postais antigos


Hotel Alto Minho por altura de início do século XX
(ilustração colorida com base em fotografia)
Pequeno conjunto de postais alusivos ao Hotel Alto Minho, situado no Peso (Melgaço). Por vezes, é pouco referido mas é um dos hotéis mais antigos de Melgaço. Foi um dos primeiros hotéis que apareceram associados às Águas de Melgaço, juntamente com o Hotel Ranhada, o mais antigo, e o Hotel Quinta do Pezo.
Note-se que o primeiro postal é um ilustração pintada com base na foto do segundo postal, de início do século XX. Sabe-se que em 1915 já existia...

Hotel Alto Minho por altura de início do século XX

Hotel Alto Minho por altura da década de 30 ou 40 do século XX

sábado, 7 de novembro de 2015

A vila de Melgaço no velho "Guia de Portugal"

Praça da República (Vila de Melgaço) na década de 50

O "Guia de Portugal" é uma obra iniciada em 1924 por Raúl Brandão. É reconhecido como um dos mais completos roteiros de Portugal do século XX. Foi publicado em vários volumes dedicados a cada uma das regiões do nosso país. A edição do volume dedicado ao Alto Minho é de 1965 e fala-nos desta região e em particular das estradas e caminho de Melgaço e das contemplações do autor com as paisagens da nossa terra.
A respeito da vila de Melgaço, refere: "Melgaço, povoação antiga, de 728 habitantes, coroada por um velho castelo afonsino, como atalaia da fronteira que a dez quilómetros (no posto de S. Gregório) deixa de ser raia húmida para se tornar raia seca e serrana.
A vila situada a uns 180 metros de altitude, dispõe-se em patamar sobre amplo vale. O rio corre ao fundo. Defronte avultam, em sucessivos planos, os austeros montes galegos.
Noutros tempos, a vila concentrava-se numa apertada e robusta cerca murada de que restam apenas panos e cubelos sobranceiros ao vale. De um extremo ao outro, a povoação tem cerca de um quilómetro. Ao lado do seu antigo núcleo, nota-se uma discreta dispersão do seu casario ao longo da principal via, que é a própria estrada relacionada com o posto fronteiriço relativamente próximo de S. Gregório.
Sobre a vertente, defronte da terra galega, impõe-se, como severo miradouro, do vale, o velho e arruinado castelo (monumento nacional), de estrutura afonsina. A torre de menagem, quadrangular e ainda coroada de ameias, é quase tão alta imponente como a do roqueiro de Guimarães. Somente, em vez da paisagem urbana e rústica do coração do Minho, a largueza que daqui se domina é tipicamente raiana e serrana.
Quem seguir pelo campo da feira poderá deitar um olhar pela parte mais arcaica da povoação medieva. Um dos edifícios que solicitam, pela robustez, é o dos antigos Paços do Concelho, assente em três possantes arcos redondos.
Transpondo a muralha pela ponte do Poente poderá seguir-se ao longo da antiga cerca até junto da “canhoneira”, obra defensiva do século XVII, contígua à barbacã, hoje ocupada pela Guarda Fiscal. Prosseguindo até à Praça, teremos em frente a velha igreja matriz (monumento nacional), templo românico, talvez do século XIII, de modestas proporções e projeção cruciforme. O seu mais estimável valor reside no tímpano do pórtico, pelo singular alto-relevo zoomórfico que nele se encontra. Interior relativamente singelo.
Ao norte de Melgaço, junto da estrada que conduz a S. Gregório, encontra-se a 1 quilómetro, a Igreja de Nossa Senhora da Orada (monumento nacional), templo coevo ou quase coevo da fundação da nacionalidade portuguesa, alcandorado sobre um pequeno patamar da ampla visão panorâmica. O portal da igreja voltado a poente, está precisamente no enfiamento do extenso e profundo vale do Minho, permitindo a visão simultânea das duas vertentes, a portuguesa e a galega.
Igreja castiçamente românica pura e interessante. Portal gracioso, com três arquivoltas, de ponto levemente subido, assentes em seis colunelos de singelos capitéis. A decoração de cada uma das arquivoltas é extremamente graciosa. Ao longo da cornija, há uma linha de curiosos modilhões. Abside retangular, com outra série de cachorros e uma fileira de grânulos. Porta lateral voltada a norte, muito interessante, pela preciosa decoração semicircular, de estilo oriental que a reveste. Do lado sul, outro portal mais singelo.
Interior muito simples. Nave única e relativamente alta, com cobertura de madeira. Iluminação discreta obtida por quatro frestas. Capela-mor muito típica. Arco triunfal a anunciar uma leve tendência para a ogiva.

Descendo de novo à estrada, poderemos prosseguir até ao ponto próximo da fronteira. À medida que se vai caminhando, a paisagem parece redobrar de seriedade. As montanhas do outro lado do rio ganham em volume, como que justificando, na sua muda eloquência, a custosa desistência que o ânimo forte do primeiro rei português teve de aceitar após o desastre de Badajoz."


Extraído de:
SANT'ANA DIONÍSIO (1965) - Guia de Portugal - Entre o Douro e Minho II. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Grande Hotel do Peso (Melgaço) em postal centenário



Trata-se de um postal antigo do início do século passado em que a frente é preenchida por uma foto da época do Grande Hotel do Peso, na altura chamado Novo Hotel Quinta do Pezo e propriedade de José Joaquim Esteves. Mais tarde seria vendido ao Sr. Figueiroa por volta de 1912.
Este postal foi escrito e enviado de S. Martinho de Alvaredo em 13 de Agosto de 1906 para Lisboa. Note-se que possui um selo do rei D. Carlos, monarca português à época, em desenho de perfil.




sábado, 31 de outubro de 2015

Castro Laboreiro (1875):a terra do melhor burel de Portugal

Ruínas das muralhas do antigo castelo de Castro Laboreiro

Na obra “Chorographia Moderna do Reino de Portugal” da autoria  de João Maria Baptista, editado em 1876, o concelho de Melgaço é descrito com algum pormenor.
Na obra é dado bastante destaque à freguesia de Castro Laboreiro ainda que o texto contenha alguns erros. Contudo, ficamos com alguns elementos importantes que nos permitem perceber como era esta freguesia nesta época.
Castro Laboreiro é caraterizado nestas palavras: “Antiga vila de Castro Laboreiro, na antiga comarca de Barcellos. Pelo decreto de 24 de Outubro de 1855 foi extinto o concelho de Castro Laboreiro, ficando a vila e única freguesia do mesmo concelho encorporada no concelho de Melgaço.
Está situada nas abas da serra da Peneda, 3 quilómetros distante da fronteira da Galliza, e próxima do rio Laboreiro. Dista de Melgaço 4 léguas para sudeste.
A vila de Castro Laboreiro tem 60 fogos. Além da vila, esta freguesia comprende os lugares de Portellinha, Vido, Varzea-Travessa, Covelo, Pintem, Laceiras, Ramisqueira, João Alvo, Barreiro, Ponte do Barreiro, Podre, Amoreira, Lagoa, Dorna, Entalada, Mareco, Pontes, Ameixoeira, Bago de Baixo, Bago de Cima, Curveira, Cainheiras, Barziella, Ribeiro, Teso, Porto dos Cavalleiros.
É terra montuosa e frigidissima. Produz centeio e milho miúdo, tem muitos gados, e especialmente ovelhas gallegas, que dão o melhor burel de Portugal. Também tem muita caça grossa e miúda, e pesca de algumas trutas na ribeira do Laboreiro, afluente do Lima.
As árvores são poucas e ainda menos as hortaliças, à excepção de nabos. As águas são frias e delgadas. Na falda da serra e a nordeste da vila nasce o rio Laboreiro, e perto há uma ponte mourisca, chamada ponte Pedrinha. Indo do Porto dos Cavalleiros para a vila, encontra-se outra pequena ribeira afluente do Laboreiro, que é aquella pela qual foi seguindo a margem a pé, o arcebispo D. Frei Bartholomeu dos Martyres, para visitar aquella isolada freguesia como se lê na sua vida, escripta por Fr. Luiz de Sousa.
É tal a frialdade d'esta terra, diz o Carvalho (o autor refere-se ao padre Carvalho da Costa, autor da obra "Corografia portugueza, e descripçam topografica do famoso reyno de Portugal" de 1706), que é necessário aquecer o vinho para as missas, em todo o inverno, porque se congela a ponto de não correr.”
 (Nota: Este pormenor do congelamento do vinho é replicado de uma outra corografia publicada no século XVIII. Será um exagero, concerteza. Sabemos que em Castro Laboreiro os invernos são frios mas dará para o vinho congelar? Não dá para acreditar.)
“Dizem fundou o seu Castello, D. Sancho Nunes de Barbosa (outros querem seja obra dos romanos ou dos árabes) cunhado de el-rei D. Affonso Henriques, que depois o conquistou com duro cerco, e o rodeou de muralhas, porque se havia arruinado com um raio. D. Diniz o reedificou e tornou bem defensível. Porém é quasi incapaz de habitar-se pela aspereza do sitio.”
(Nota: Este episódio do raio que destruiu o castelo de Castro Laboreiro é citado em várias corografias dos séculos XVIII e XIX e é situado em tempos medievais. Contudo, a destruição do castelo pelo raio aconteceu de facto no século XVII. Pode ler mais em “No dia em que o Castelo de Castro Laboreiro "foi pelos ares".)
“Os nossos anteriores monarchas concederam grandes privilégios a esta vila, pelos seus serviços prestados nas guerras. No Dicionário Corográfico, diz-se que os homens e mulheres d'esta vila vestem de briche e saragoça (burel) e trajam de um modo esquisito.
Saem de inverno para Traz-os-Montes mais de 200 homens a fazer paredes e outros trabalhos."


Informações recolhidas em: 
- BAPTISTA, João Maria (1875) - Chorographia Moderna do Reino de Portugal. Volume II, Typographia da Academis Real da Sciencias, Lisboa.

sábado, 24 de outubro de 2015

Melgaço nas notícias da Emissora Nacional em 1960




Viajamos até Melgaço no ano de 1960. Nesta altura, quase ninguém tem televisão e só uns quantos têm um rádio em casa.  
Nestes tempos do Estado Novo, a estação de rádio oficial do regime salazarista era a Emissora Nacional. Entre os seus programas, havia um chamado “A Voz de Portugal” que era emitido em onda curta para o estrangeiro. A emissão do dia 8 de Setembro de 1960, dá um enorme destaque ao concelho de Melgaço. Fala-nos das suas lindas paisagens, das águas milagrosas do Peso e dos melhoramentos operados no concelho pela Câmara Municipal.
Leia as notícias das nossa terra em 1960, no guião deste programa:
“Situada no extremo mais setentrional do país, a vila de Melgaço peca pela distância a que se encontra e só por isso, talvez, não usufrui da fama que, pelas suas múltiplas  variadas belezas naturais, bem merecia, por si e por toda a região circundante. Pode asseverar-se, com plena justiça, que, na gloriosa exuberância do jardim viçoso que é todo o Alto Minho, os foros de Melgaço constituem um canteiro privilegiado de encantos.
Pelos caminhos adustos da serra até ao pitoresco Castro Laboreiro; pela estrada sinuosa que leva até à fronteira de S. Gregório, paralela ao ténue fio de água que é o rio Minho lá ao fundo; nas cavas da montanha; para as bandas do Peso, onde brotam fontes de saúde, por entre renques de cerrada arborização; para qualquer lado que se desviem os passos, a paisagem sublima-se numa grandeza surpreendente e dominadora.
Presentemente, estão em curso obras e melhoramentos de que nos limitaremos a dar ligeiros tópicos, os suficientes para se poder avaliar a importância da atividade camarária. No que diz respeito a estradas municipais, está em curso a construção do segundo lanço da estrada da sede a Alcobaça, por Fiães. Foi a concurso a obra para abertura da estrada da Senhora de Lurdes a Sá (Paços) e está a proceder-se ao levantamento dos projetos para as estradas de Várzea Travessa a Rodeiro (Castro Laboreiro) e de castro Laboreiro aos Portos. Neste momento, estão a decorrer os trabalhos relacionados com o abastecimento de água aos lugares de Aldeia de Cima (Paderne) e de Maninho (Alvaredo).
O plano de recuperação e de construção de edifícios escolares continuam a merecer particular zelo. Já foi adjudicada a construção das escolas de Adofreire (Castro Laboreiro), Além (Paderne) e de Corga (Remoães) e faz-se a aquisição dos terrenos onde vão ser erguidos os novos edifícios escolares de Crasto (Roussas) e da próxima vila. A assistência é, por sua vez, um campo de ação que a municipalidade trata com especial desvelo.
A estância hidrológica do Peso, com toda a maravilha da sua paisagem e dos seus recantos frondosos, é bem o centro de atração desta zona do Alto Minho – também por constituir um aprazível local de repouso onde as comprovadas virtudes curativas das suas águas minerais têm  merecido a benção de muitos doentes que ali procuram alívio para os seus achaques.
Com mais alguns melhoramentos que se projetam – engrandecimento do Peso e uma pousada-, depressa Melgaço conquistará um lugar de relevo, aliás bem merecido, no plano turístico nacional.”


Fonte: Guião do programa “A Voz de Portugal” de 8 de setembro de 1960. In: www.rtp.pt


Veja o Guião do programa na íntegra digitalizado: